domingo, 24 de outubro de 2010

COEUR SOLITAIRE


Dans la langueur,
Mon pauvre coeur,
Seul, demeure,
Et par se taire,
Faisant mystère,
Bas, Il pleure.

Malade et blanche,
Terrible branche
De ce bois,
Il sens tout tendre,
Au voir descendre
Faible voix.

C’est de la vie
La nostalgie
De son pas
Et solitaire
Par sur la terre
Il se va’.


(Abril de 1952).
Ives Gandra

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

'Chanson'


Parmi le feuillage
le vent chante une berceuse.
De douces caresses...

Delores Pires - Clair de Lune

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

***


... I wander afield
somewhere in a time
only memory knows...

(Fernando Campanella)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Tanka


Rayon de soleil,
fragile, touche la larme
de l'enfant qui pleure.
Elle tombe discrètement
et forme une jolie perle !

Delores Pires — Le Voyage de mes Rêves

domingo, 29 de agosto de 2010

***

(Foto by Fernando Campanella)

... my horse is the wind, galloping through a haze of dust....

(Fernando Campanella)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Autumn Sadness


Air and sky are swathed in gold
Fold on fold,
Light glows through the trees like wine.
Earth, sun-quickened, swoons for bliss
'Neath his kiss,
Breathless in a trance divine.

Nature pauses from her task,
Just to bask
In these lull'd transfigured hours.
The green leaf nor stays nor goes,
But it grows
Royaler than mid-June's flowers.

Such impassioned silence fills
All the hills
Burning with unflickering fire-
Such a blood-red splendor stains
The leaves' veins,
Life seems one fulfilled desire.

While earth, sea, and heavens shine,
Heart of mine,
Say, what art thou waiting for?
Shall the cup ne'er reach the lip,
But still slip
Till the life-long thirst give o'er?

Shall my soul, no frosts may tame,
Catch new flame
From the incandescent air?
In this nuptial joy apart,
Oh my heart,
Whither shall we lonely fare?

Seek some dusky, twilight spot,
Quite forgot
Of the Autumn's Bacchic fire.
Where soft mists and shadows sleep,
There outweep
Barren longing's vain desire.


Emma Lazarus
(1849 - 1887 / New York / United States)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

'A alma no Jardim da Paz"


Então a mente, por falta de prazer,
Se rende à sua felicidade;
A mente, esse oceano onde cada um
Descobre a si mesmo;
Mas cria e transcende
Outros mundos e outros mares distantes,
Aniquilando tudo o que foi feito
A um pensamento verde numa sombra verde.


Aqui, nas fontes de pedra escorregadia,
Ou entre as árvores que o musgo acaricia,
Do corpo a veste enfim despindo,
Minha alma para os ramos vai subindo:
Ali, como um pássaro, senta e canta,
E cisca e as asas com o bico vai alisando;
E, até estar preparado para o vôo mais alongado,
Reflete em sua plumas matizes variados.

Andrew Marvell

*Escritor inglês, nascido em 1621 e falecido em 1678, estudou em Cambridge, tendo abandonado os estudos para empreender uma longa viagem pela Europa.
De regresso a Londres, contactou com os diferentes círculos literários da época, e publicou, em 1650, An Horatian Ode upon Cromwell's Return from Ireland, o que é considerado um dos grandes poemas políticos da literatura inglesa. Cromwell voltou a ser tema das composições poéticas de Marvell no poema Upon the Death of His late Highness the Lord Protector. Embora tenha gozado de uma elevada reputação enquanto autor de sátiras, de entre as quais se destaca Last Instructions to a Painter, e pelas suas obras em prosa, nomeadamente: Mr. Smirk, Or the Divine in Mode, A Short Historical Essay Concerning General Councils e An Account of the Growth of Popery and Arbitrary Government in England, nas quais ataca o poder real arbitrário, Marvell era virtualmente desconhecido como poeta lírico.
O reconhecimento deste autor enquanto um dos grandes poetas metafísicos surgiu nos séculos XIX e XX, tendo o volume póstumo, Miscellaneous Poems, sido objecto de múltiplos estudos, motivados pelo tratamento irónico e enigmático de material poético convencional.

Andrew Marvell. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

NIHILISMO


En el fondo de ti vuela la mariposa
personal ¡Salta en el vacío!
Nada suplanta la experiencia diestra
¿Qué haces en la ribera lamentándote?
momento piloto del ser monumento
Estar en el espacio santísimo y divino
las dos pupilas diarias y el órgano pineal
y mirar las estrellas con ojo terco

En la época dorada saber poner las manos
sobre la Nada no coger ya nada

La mixtificación no te rodea


Carlos Edmundo de Ory
(1923, Cádiz España)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

"TINTED-GLASS WINDOWS"

(Saint Francis stain glass in the little church in Taizé -France)

Why do I write?
Why do I sometimes
into my hands clasp the light
only to spread it,
a thousand gasping wings
probing the sideless skies -

and the universe
suddenly dresses bright
and a tinted glass
in a chapel
then reflects
my heart…

(Fernando Campanella)




VITRAIS

Por que escrevo?
Por que em minhas mãos
às vezes a luz retenho
apenas para estendê-la -
mil asas ofegantes
sondando os céus
sem beirais –

e de repente o universo
se faz luzente
e uma capela
reflete então
meu coração
em seus vitrais...

Fernando Campanella

BUTTERFLY LILIES

(Foto by Fernando Campanella)

Behold these pollen-craving brides
before their scented spells fade
and their muslin-petalled veils fray.


(Fernando Campanella)

'FALLING STAR'


Raise thy longings to me
I sparkle when the day is asleep
And frolicking birds are lain -

Even when the Aldebarans are blinded
And thy solid moons seem to wane,
Rise, never tire, plead on me -

Plead, on the very mercy of a sentry
Who sensing the wants of your heart
Would leave somber cells unattended
And massive night portals ajar.

Fernando Campanella


ESTRELA CADENTE

Ergue teu anelo a mim
Eu lampejo quando o dia adormece
E aves buliçosas já vão repousar -

Mesmo quando as *Aldebarans se cegam
E tuas sólidas luas parecem minguar,
Eleva-te, nunca te canses, pede a mim -

Pede, à clemência mesma de um guardião
Que enternecido de tuas penúrias
Te livrasse da cela escura, do açoite,
Deixando entreabertos
Os maciços portais da noite.

Fernando Campanella


(Alpha Tauri) conhecida como Aldebarã ou Aldebaran é a estrela mais brilhante da constelação Taurus. mm

domingo, 8 de agosto de 2010

'YELLOW MOON'

(Foto by Fernando Campanella)

Don't mourn over past lovers, yellow moon,
for you have preserved your charms
and enticed mortals to your feet
since generations of old.
Don’t cry, though we’re lone wanderers
and you last so much longer than I.
Night is but a wondrous sounding
chance – take my hand, thus,
leave your seat – shall we dance?

Fernando Campanella


'LUA AMARELA'

Não lamentes idos amores, lua amarela,
pois ainda preservas teus encantos
e envolves mortais em tua trança
desde imemoráveis gerações.
Não chores, embora solitários errantes
sejamos, e sobrevivas tão mais a mim.
A noite é apenas uma assombrosa
E sonora chance – dá-me tua mão, assim,
Sai de teu canto – e que comigo dances.

(Fernando Campanella)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

'DAYS THAT COME AND GO'


Days that come and go,
It is not worth the while;
Only one dawn I know,
The morning of her smile.

Nights that come and go,
In vain your shadow lies;
Only love's dusk I know,
The evening of her eyes.


John Vance Cheney
(1848-1922)
"Days That Come and Go" is reprinted from The Little Book of American Poets. Ed. Jessie B. Rittenhouse. Cambridge: The Riverside Press, 1915.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Abro a minha boca e o mar se regozija...


Abro a minha boca e o mar se regozija
E leva as minhas palavras a suas escuras grutas
E às suas focas pequenas as murmura
Nas noites em que choram os tormentos do homem.

Abro as minhas veias e enrubram-se os meus sonhos
Transformam-se em arcos para os bairros dos meninos
E em lençóis para as raparigas que velam
Para ouvir às ocultas os prodígios do amor.

Aturde-me a madressilva e desço ao meu jardim
E enterro os cadáveres dos meus mortos secretos
E às estrelas traídas que eram suas
Corto o cordão dourado pra caírem no abismo

O ferro enferruja e eu castigo o seu século
Eu que já experimentei a dor de mil pontas
Com violetas e narcisos a nova
Faca vou preparar que convém aos Heróis.

Desnudo o meu peito e os ventos se desatam
E vão varrer as ruínas e as almas destruídas
Das espessas nuvens limpam a terra
Pra que surjam à luz os Prados encantados.

Odysséas Elytis
Tradução de Manuel Resende.

Odysséas Elytis (pseudônimo de Odysseas Alepoudelis) nasceu na ilha de Creta no dia 2 de Novembro de 1911. Em 1960 recebeu o seu primeiro prêmio de poesia, ao qual se seguiram outros e o Prêmio Nobel da Literatura em 1979. Faleceu no dia 18 de Março de 1996.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Ave, Tao


Ame o belo, ame o tosco
ame o pai
o filho
ou o espírito de louco.
Mas ame.

Ame cedo, sob alegrias de Vésper
(...)
Ame o conhecimento do amor
e as formas de amor
o amor frater
os mil amores.
Ame o amor que já ousa dizer seu nome.
(...)
Ame réptil, ame erectus, ame sapiens.

Mire-se em beleza e pó de anatomias fugidias.
Ame Sírius, a luz difusa, e as Graças
- e a asa errática do Espírito sobre as águas.
Ame símile, ame díspar, ame incondicional.

Ama et labora.

Salve, Paz do Deus dos homens,
Ave, Tao.


Fernando Campanella